10.2.09

Quatro asas...



Acordo e parece que chego de uma longa viagem, para onde não levei você na bagagem. É, andei muito tempo sem você, e isso sempre me fez carregar um vazio no coração. Por onde tem andado a minha menina, a minha bonequinha, que eu vi crescer e que, agora, não é mais uma boneca tão frágil? Hoje, penso naquela frase "há tantos que vivem, sem viver um grande amor", e lembro dos nossos dias, lembro do nosso tempo, quando era mais bonito, quando era mais suave, mais fácil de passar. Daqui para a frente, o que vai acontecer? Você saberia dizer? Saberia explicar como seria a nossa vida, se o nosso passado não tivesse existido? É... eu também não.

Foi com amor.

9.2.09

TDAH...


"...O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"

[Florbela Espanca]

9.12.08

...para alguém que já foi...



Hoje estive pensando em você. Refleti sobre como é difícil segurar um sentimento quando ele vem. E não importa como você esteja, não importam as suas carências ou satisfações, alguns sentimentos vêm assim mesmo, como uma onda de mar, como algo tão imensamente grande, que a gente não pode segurar com as mãos. Acontece comigo o tempo todo, não se sinta só. Aliás, isso é outro assunto no qual penso bastante. Já percebeu como nunca, por mais que tentemos, nunca estamos sós? Pode até ser uma chama, um pavio aceso, a vela por apagar, ou a fumaça de um cigarro. Tem sempre algo que nos acompanha. Sendo assim, essa história de solidão só pode ser fantasia que colocaram em nossas cabeças quando éramos crianças, e aí dava um medo absurdo de levantar de madrugada com sede e ir à cozinha beber água. O que não percebíamos é que a companhia da solidão da noite é o que nos assustava naquela época. Sinto nostalgia do tempo em que os meus medos e preocupações se resumiam aos anoiteceres aparentemente solitários. Mas hoje, quando olho os seus olhos, me dá um certo conforto. Seus olhos são doces, são olhos de menino. Eu gosto de meninos. Amo as crianças, e isso preenche a minha alma de uma forma inexplicável. Preciso de crianças me rodeando o tempo todo. Preciso ter as minhas. E isso é outra reflexão que me acompanha. Divido contigo as minhas reflexões solitárias. E você olha para mim com esse sorriso de quem salva o mundo da antipatia daqueles que não sabem o valor de se ter uma amigo. Ah... como eu gostaria de falar a sua língua! Como eu gostaria de entender os seus silêncios, as vezes em que você só gostaria de, simplesmente, não existir... Desculpa, desculpa, desculpa... eu sei que posso ser bem menos ruim, eu sei.


Amor eterno.

6.12.08




todo recomeço tem um sabor agri-doce. vem carregado de mágoas passadas, mas com um alívio do mistério do que há por vir. todo recomeço é um suspiro, um grito de que ainda se pode esperar, um desejo pelo sol do dia seguinte. mesmo aqueles recomeços tardios. mesmo aqueles recomeços do zero. e os recomeços doídos e doidos, os recomeços dos escombros, dos destroços, depois de uma guerra, depois de uma fome, uma enchente, uma surra ou um amor que se foi. tudo é, no fim, a mesma dor, e tudo, no fim, deixa o mesmo vazio, para o mesmo novo começo. todo recomeço é um ponto brilhante no caminho da história da vida de alguém. amargo e doce. difícil não é viver. difícil não é ser você. difícil é ter que recomeçar, quando nem mesmo você acredita mais no que te restou, quando nem o que te restou serve mais para o que você espera para o futuro. eu acredito em recomeços. eu acredito. acredito em páginas em branco e um lápis na mão. essa é a minha arte, e é aqui, de novo, que deposito meu coração.