
Hoje estive pensando em você. Refleti sobre como é difícil segurar um sentimento quando ele vem. E não importa como você esteja, não importam as suas carências ou satisfações, alguns sentimentos vêm assim mesmo, como uma onda de mar, como algo tão imensamente grande, que a gente não pode segurar com as mãos. Acontece comigo o tempo todo, não se sinta só. Aliás, isso é outro assunto no qual penso bastante. Já percebeu como nunca, por mais que tentemos, nunca estamos sós? Pode até ser uma chama, um pavio aceso, a vela por apagar, ou a fumaça de um cigarro. Tem sempre algo que nos acompanha. Sendo assim, essa história de solidão só pode ser fantasia que colocaram em nossas cabeças quando éramos crianças, e aí dava um medo absurdo de levantar de madrugada com sede e ir à cozinha beber água. O que não percebíamos é que a companhia da solidão da noite é o que nos assustava naquela época. Sinto nostalgia do tempo em que os meus medos e preocupações se resumiam aos anoiteceres aparentemente solitários. Mas hoje, quando olho os seus olhos, me dá um certo conforto. Seus olhos são doces, são olhos de menino. Eu gosto de meninos. Amo as crianças, e isso preenche a minha alma de uma forma inexplicável. Preciso de crianças me rodeando o tempo todo. Preciso ter as minhas. E isso é outra reflexão que me acompanha. Divido contigo as minhas reflexões solitárias. E você olha para mim com esse sorriso de quem salva o mundo da antipatia daqueles que não sabem o valor de se ter uma amigo. Ah... como eu gostaria de falar a sua língua! Como eu gostaria de entender os seus silêncios, as vezes em que você só gostaria de, simplesmente, não existir... Desculpa, desculpa, desculpa... eu sei que posso ser bem menos ruim, eu sei.
Amor eterno.
